Notícias
Casas para uma vida mais longa

A casa que escolhemos hoje continuará funcional daqui a 20 ou 30 anos? A pergunta, que até pouco tempo parecia distante das decisões do mercado imobiliário, ganha relevância à medida que o Brasil envelhece. Viver mais está mudando a forma como trabalhamos, consumimos, nos relacionamos e, inevitavelmente, também deverá mudar a maneira como projetamos e escolhemos onde morar.
Nesse novo cenário, acessibilidade ganha um significado mais amplo. Não se trata apenas de eliminar barreiras ou atender a uma necessidade específica, mas de criar espaços que acompanhem as pessoas ao longo da vida. Imóveis com circulação confortável, plantas adaptáveis, menos obstáculos, mais segurança e tecnologias que favoreçam a autonomia começam a entrar no vocabulário do morar contemporâneo.
Os números mostram a importância dessa discussão. O Censo 2022 revelou que o Brasil já possuía 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população e um crescimento de 56% em relação a 2010. Em 2070, cerca de 37,8% dos brasileiros deverão ter 60 anos ou mais. Mais do que uma mudança na pirâmide etária, estamos diante de uma mudança na própria ideia de futuro — inclusive no futuro das nossas casas. A Organização Mundial da Saúde considera a habitação um dos componentes fundamentais das comunidades amigáveis ao envelhecimento.
É nesse cenário que ganha força o conceito de aging in place — ou envelhecer no lugar -, conceito que já vem ganhando força no Brasil. Em Curitiba, um dos exemplos mais emblemáticos é o BIOOS, empreendimento da Construtora Laguna concebido para o público 60+ e estruturado a partir de conceitos de autonomia, segurança, bem-estar e integração com serviços de saúde. A torre residencial reúne 108 unidades, de 42 m² a 83 m², com soluções de acessibilidade e ambientes voltados à convivência e à independência dos moradores. O projeto chegou à entrega, em 2026, com 90% das unidades residenciais vendidas, segundo publicação especializada. A aceitação do conceito levou a incorporadora a expandir a proposta com o lançamento do BIOOS Barigui, também em Curitiba.
No âmbito da arquitetura, circulações mais amplas, ausência de desníveis desnecessários, pisos seguros, portas que permitam passagem confortável, banheiros que possam receber barras de apoio, áreas de banho acessíveis, boa iluminação e comandos em alturas adequadas são soluções relativamente discretas que podem fazer enorme diferença no futuro. A tecnologia também ocupa um papel importante no projeto. Automação de iluminação e climatização, fechaduras digitais, comandos por voz, sensores, sistemas de emergência e recursos que simplificam tarefas cotidianas podem favorecer a autonomia.
Mas o empreendimento amigável à longevidade não termina na porta do apartamento. Elevadores acessíveis, percursos sem barreiras, áreas comuns confortáveis, locais de descanso, espaços de convivência e uma boa conexão com serviços, comércio, saúde e transporte tornam-se atributos cada vez mais relevantes. Morar bem passa também pela possibilidade de continuar circulando, convivendo e participando da cidade.
Para o mercado imobiliário, talvez esteja justamente aí uma das grandes oportunidades dos próximos anos. Se a população brasileira viverá mais e terá uma parcela crescente de pessoas maduras, o imóvel do futuro será aquele capaz de permanecer adequado aos seus moradores por mais tempo. Acessibilidade deixa de ser apenas uma exigência técnica para se transformar em atributo de qualidade, valorização e inteligência.




