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Um convite para pensar a cidade verde

A Bahia é um estado de grande riqueza cultural e belezas naturais. Mas é na biodiversidade que ele mostra o quanto é privilegiado Segundo o botânico e paisagista Ricardo Cardim, que esteve essa semana em Salvador para um lançamento imobiliário, as florestas baianas são capazes de abrigar até 144 espécies por mil metros quadrados. Para termos uma ideia de como isso é representativo, na Europa apenas 5% das florestas possuem mais de 6 espécies por mil metros quadrados. Essa riqueza absoluta tem um fator bastante favorável para pensarmos as cidades verdes, promovendo um ambiente restaurador e com mais qualidade de vida.
Empreendimentos baianos já começam a colocar no conceito de seus projetos a biofilia, trazendo como eixo central a conexão profunda com a natureza. Mas não basta apenas incluir o verde. Ricardo Cardim evidencia a importância da escolha de espécies nativas, em detrimento das espécies estrangeiras, que hoje representam cerca de 90% do paisagismo no Brasil. A origem disso remonta ao século XIX, quando as cidades começaram a copiar a arquitetura europeia e trouxe também espécies vegetais de países estrangeiros. Hoje, temos o dever social e ambiental de resgatar as espécies nativas e trazê-las de volta para a convivência dos brasileiros. O paisagismo é uma das chaves remanescentes da nossa preservação cultural.
Cardim traz o conceito inovador de "floresta de bolso", uma técnica de restauração da Mata Atlântica que resgata a biodiversidade de maneira sutil e eficaz. Essa abordagem promove uma dinâmica de cooperação entre as espécies, permitindo que elas se desenvolvam em um ambiente que simula a complexidade natural das florestas tropicais. Em um contexto urbano, essa técnica se revela uma solução viável e de rápida implementação para a construção das cidades verdes.
A partir de áreas pequenas, com o minimo de 50 metros quadrados, é possível implementar a técnica da floresta de bolso e contribuir, junto com outras ações sustentáveis, a exemplo das técnicas construtivas com menor emissão de CO2, para a biodiversidade. A arborização planejada pode regular a temperatura da cidade, criando microclimas mais agradáveis e promovendo uma atmosfera mais acolhedora.
Além de seus benefícios ambientais, a presença de árvores impacta diretamente a saúde mental e física de quem nela vive. Ambientes verdes estão associados a uma diminuição do estresse e a uma melhoria significativa na qualidade de vida. Espaços arborizados incentivam a convivência social, transformando a cidade em um palco de interações humanas e experiências enriquecedoras. Assim, investir em arborização é, na verdade, investir no bem-estar da comunidade.
Empreendimentos que incorporam a floresta de bolso em seus projetos não apenas se destacam pela sua responsabilidade ambiental, mas também se tornam protagonistas na construção de uma cidade mais resiliente. A integração de espécies nativas traz beleza, qualidade de vida e é uma declaração de compromisso com o futuro sustentável.
A visita de Ricardo Cardim a Salvador é um convite para pensar as cidades baianas que queremos e moldar, onde a natureza e a cidade coexistem em harmonia, proporcionando qualidade de vida e saúde para as pessoas.




